quinta-feira, 6 de agosto de 2009
Corte no teatropoa.blogspot.com
quarta-feira, 5 de agosto de 2009
Corte por Daniela Cunha - Jornalista

Corte – Refiro-me à palavra com a sílaba tônica cor pronunciada com o “o” aberto é o espetáculo do grupo Jogo de Cena, concebido e dirigido pelo Décio Antunes, com coreografias de Maria Waleska Van Helden. Como o próprio nome do trabalho, é difícil comentá-lo pela complexidade do que não se vê, mas que está subentendido na obra.
Prato cheio para os intelectuais dessa era, o Corte traz à tona a filosofia, a sociologia, as inquietudes deste século, mas remete também à mitologia grega e a eterna angústia de Sísifo, condenado a “fazer rolar a pedra, sempre a mesma para cima do monte, sempre o mesmo...” Lembra também Edgar Morim e sua teoria do caos e da ordem, típicos desse nosso tempo tão controverso, tão doido e doído e um pouco de Shakespeare em “Ser ou não ser, eis a questão”. O Corte é um pouco de tudo, mas basicamente, mostra a dor desse nosso tempo meio sombrio, violento, fragmentado, aos pedaços.
Tanto faz se o espectador já ouviu falar nos modernos ou pós-modernos ou em gregos e romanos. O Corte escancara um tempo midiático profetizado por Marshall Mc Luhan quando afirmava que “o meio é a mensagem” e introduziu, como um verdadeiro visionário, a terminologia aldeia global. É nosso esse tempo de bits e bytes, de velocidade e vida no ciberespaço. Também é nosso esse tempo sombrio de jovens fundamentalistas que viram homens e mulheres bombas que morrem por uma causa ou são atropelados por aviões em seus ambientes de trabalho. Esse tempo fluido, exposto e escondido está no Corte.
Como um soco no estômago, o espetáculo faz pensar, incomoda. Porém, é na mistura perfeita de elenco e cenário que a esperança pode surgir de algum escombro. É ali entre tonéis e carcaças que ressurge quase como um milagre as presenças de Cristina Camps, Fabiane Severo, Graziela Silveira, Maria Albers, Patrick Vargas, Robson Duarte e Stela Menezes. Eles lembram que a vida pulsa na luz ou na sombra. Se no terceiro milênio estamos atrapalhados com tanto barulho e com um tempo onde as horas pesam, esse tempo é dessa geração. Nossos somos os donos das escolhas, das penumbras, das tempestades, das noites. Temos o desafio de mudar o paradigma, de fazer a revolução e pensar num outro mundo, menos consumista, talvez, mais humanizado, quem sabe.
O Corte é importante pelo que não diz e pelo que não mostra. É fundamental pela falta de alegria, de cor. O Corte pode ser simplesmente o anúncio ou o início de um novo tempo, mais leve, mais consistente, mais viável. O Corte pode ser simplesmente o tempo de ontem, de torres gêmeas desabando, de Bush atordoando, de Bin Laden revidando. O Corte é fundamental pelo que revela e escancara. É a ferida desse nosso tempo ou quem sabe a cicatriz desse mesmo tempo. Contraditório, é o nó nas tripas, a fratura exposta, é o corpo correndo atrás da cabeça e ela em busca do sentido da vida. Um luxo (ou lixo existencial)! Só para variar, Décio e Waleska saem de novo do lugar comum e arrasam, sem cortes. Bravo!
Daniela Cunha - Jornalista
terça-feira, 14 de julho de 2009
Camarote TvCom direto do Museu do Trabalho
Por trás da aparência, a essência de Corte

terça-feira, 30 de junho de 2009
Morre a mestra Pina Bausch

Nos anos 1970, Bausch criou novas formas e estilos no teatro e na dança. Dez anos mais tarde, seu trabalho ganhou, na Alemanha, a mesma importância que o teatro falado.
A companhia de Pina Bausch esteve pela última vez no Brasil em 2006 e volta aos palcos paulistanos em setembro, onde mostrará duas obras fundamentais na carreira da coreógrafa: "Café Müller", peça de 1978, e sua versão para "A Sagração da Primavera", de 1975, com música de Igor Stravinsky.
Trata-se do mesmo programa que Bausch e seu grupo de Wuppertal apresentaram no Brasil em 1980, na primeira turnê da companhia ao país.
notícia retirada da Folha Online com informações da Efe e France Presse
quinta-feira, 4 de junho de 2009
quinta-feira, 28 de maio de 2009
Palpite Cultural

Vivemos num mundo meio que de cabeça pra baixo. As coisas passam por nós tão rápido e com tanta informação que não temos sequer tempo para assimilar seus sentidos. Todos perdidos e ao mesmo tempo presos num emaranhado de obrigações morais e convenções cotidianas.
Num determinado momento as luzes se apagam e cessa o movimento dos atores. Um silêncio, ninguém sabe se acabou, ou se esse silêncio faz parte do roteiro. De repente, sem ter muita certeza, alguém no público aplaude, seguimos o corajoso. Foi o fim.
Saímos do teatro vazios de pensamentos e tremendo de emoções ainda não definidas. A intensidade das interpretações, a grandiosidade do cenário e a genialidade ali apresentada, choca. Não notamos o final, não sentimos o corpo caminhar, sair do lugar. “Não entendi nada” é a primeira coisa que vem a cabeça. Precisa de tempo, tempo para assimilar, logo tudo faz sentido, “entendi”.
O corte dói mesmo. Evidencia muita coisa que não paramos pra pensar e machuca porque não trás soluções. Vemos o passado e o passar do tempo. Dá agonia ver aqueles seres perdidos, presos. Os gritos que ouvimos não saem do palco, mas do público. De dentro de cada um. As fraquezas humanas expostas ali, sem julgamentos. Apenas a exposição do que fica por dentro.
É um daqueles espetáculos que não podemos deixar de ver. Não por ser a grande sensação do mundo cult-intelectual-paga-pau. Mas porque realmente corta. E se precisamos de alguma coisa nesse mundo maluco, é de um basta. De um corte, de uma dor insuportável que nos faça parar e por fim, depois de tanto tempo sem fazer isso, pensar.
Natascha Castro
Um corte curado

Corte é masculino. Sutura é feminino. Vi a junção.
Corte é um caminho que a faca faz, ou a tesoura faz, papel às vezes também é corte, pedra quando em movimento também, aliás as mudanças que a pedra faz quando começa a se mexer, muda a geografia! Fechar os olhos também, não muda a geografia, mas muda a realidade e a história... mas tinha outras coisas: lembranças, infância, fé, eu vi fé nos olhares, assim, querendo construir tudo novo de novo e de novo.
Um espetáculo residual. Instrumento afiado, mas ao mesmo tempo reconstrutor, costurado, cicatrizado e curado. Não há marcas sem corte.
Aniuska Van Helden, jornalista
Comentário - Cristina Zarif Severo

Segundo a doutrina da homeopatia, quando no Paraíso Eva e Adão cometeram o “pecado original”, houve o sentimento de culpa, o qual nós carregamos após o nascimento. Este sentimento é manifestado individualmente de maneira diferente: ambição, inveja, avareza, poder, ciúmes, sentimento de abandono...
O primeiro trauma é a expulsão do útero onde saímos de um lugar seguro para enfrentar um mundo que desconhecemos, gerando angústia, insegurança e medo.
Assim como na mitologia grega, as histórias de ira aos deuses e as consequentes tragédias, a homeopatia revela porque cada um de nós reage diferente no que se refere às emoções e sentimentos. No CORTE, a atitude da personagem que foi traída, a personagem que teve sua maternidade negada, ambição de poder, ciúmes e a visão cega demonstram estas diferenças.
No mundo, em nome de idéias e religiões ocorrem muitas situações trágicas relacionadas ao complexo de culpa desde o nascimento e, mesmo assim continuamos lutando pelos nossos objetivos, em uma busca incessante.
As catástrofes no meio ambiente estão ligadas à ambição, à ganância e o poder que poderá levar a uma situação desoladora.
Cristina Zarif Severo
quarta-feira, 20 de maio de 2009
No elenco:
terça-feira, 19 de maio de 2009
Profundo Corte - Comentário de Norman Hauschild

Luzes se apagam. E a plateia não sabe o que fazer. Se aplaude ou se espera. Fim do espetáculo? Acabamos aplaudindomesmo sem entender ao certo o que terminamos de ver e sentir. Muita informação. Muita abstração. Pensamentos livres, voam. Impossível não sermos profundamente tocados, feridos.Todos ainda atordoados. Vida. Morte. Seres descrentes, faces perdidas pelo cenário. Buscando o quê? Olhares penetrantes, intrigantes, que nos desnudam. Futuro. Passado. Presente. Física. Química. Linguagem.Quem sabe? Espetáculo chocante. Denso. E que cenário! Carcaças de carros, refigerador, rampa, roda, imagens, plateia, vozes, inglês, alemão, faca, tragédia, corpos, almas... Nós, atônitos, sendo chamados para o palco, sendo puxados por uma grande roda, grande ímã, cuja energia crescia ao subir a grande montanha e ao cair devolvia sua energia acumulada. Energia potencial. De uma certa forma, parte de nossa energia se foi com ela, para um grande buraco desconhecido. Esta peça tem que seguir adiante, pelo estado afora, pelo Brasil afora. Muita gente tem que assití-la neste ano. Discutida. Interpretada. Digerida. Bebida. Terminar no meio universitário, no Salão de Atos da UFRGS, no portinho. Se este profundo Corte ainda vai cicatrizar um dia não se sabe...
terça-feira, 12 de maio de 2009
Comentário de Élvio Vargas sobre o Espetáculo Corte

A pedra de Sísifo é o moinho que sopra nossa urdidura, viveremos com ela até o fim de nossos dias...por excesso de tempo, CORTO aqui...Tic-Tac...Tic-Tac...
Élvio Vargas
Comentários de Marilu Goulart sobre a pré-estreia do dia 8

Corte causa dor. Tudo se passa na superfície. Não há profundidade, moral, nem história. Apenas fluxos que produzem encontros e evidenciam solidões. Um estar só no mundo. Mundo frio, cru, tecnológico, onde, por vezes, uma suavidade invade o ambiente e transforma os corpos. A música habita este mundo de sonâmbulos: corpos oprimidos pelas formas-formalidades já não conseguem seguir/fazer os rituais próprios da cultura. Uma gravata pode compor o vestuário e pode também ser um instrumento de morte, por vezes, lenta. Corpos desarticulados, das sempre mesmas formas de viver e se relacionar, são arrastados em cena e desfilam sob nossos olhos doloridos. Em corte, há uma ausência de culpa, certamente pela ausência de qualquer transcendência. Tudo é imanente, não há nada por trás, uma verdade a ser descoberta, uma moral da história, ou mesmo qualquer simbolismo ou metáfora. Um corte no tempo: e quem assiste não é mais expectador. Sente a dor de estar exposto na sua humanidade sem perspectiva de uma forma definida. Corte acorda por 50 minutos do sonambulismo em que se vive. Não há mais esperança. Porque não há futuro. Não há história. Há um narrador. E o ponto de vista é a nova comédia que substituiu Deus. As intensidades invadem os corpos. Não há segunda aposta. Todas as fichas numa única jogada. Ou nada. O que tem de esperança em Corte é a ausência da relação desta com o futuro. O tempo é da ordem do imediato. Não há dicotomias. Nem julgamento (de valores). O que dá certo alívio na exposição de tanta crueza é a possibilidade concreta de uma nova forma de liberdade. De experimentação da vida. Desde que se abra mão das certezas e se abra o corpo para as intensidades, quase sempre violentas, da vida. Nem boa nem má, necessária para que se imploda este corpo sonâmbulo, esta insônia agonizante. E se produza um corpo não organismo, não organizado. Que saiba se relacionar com o mundo nesta multiplicidade de partes que somos e que ele é. E produzir encontros. Corte abre uma ferida. Bem no meio de nossa humanidade carcomida pelo mesmo. Não propõem nenhum modelo. Nem permite um passo atrás. Esta é sua violência. E talvez sua única dicotomia: permanecemos sonâmbulos, ou nos permitimos sermos atingidos pelos punctuns. Sobre o figurino, comentei sobre sua beleza e ouvi que, ele de bonito, rouba a cena. Eu, que não entendo nada disto, só posso dizer que gostei. Ao meu lado meu filho de 10 anos, a certa altura me disse: “mãe, não tô entendendo nada”. Isto não me causou surpresa. Me fez pensar na educação. Mas não vou entrar nesta questão. Sempre se espera, afinal, a moral da história, um enredo, alguma linearidade que nos oriente. Pensei “ainda há tempo, sempre haverá”. Em corte, há espaço para o pensamento (na educação não), pois há espaço para a dúvida, a angústia, a incerteza, a sensibilidade, a música... Não é, porém, um espetáculo para ser visto uma única vez. A forma está em questão e o estilo (enquanto existência) precisa ser repensado. Desta vez, a primeira, é o que tenho a dizer.
Entrevista no Band News Edição de Sábado
Matéria no Jornal Zero Hora
“Corte” estreia amanhã no Museu do Trabalho
Corte pode significar um ferimento. Mas também pode ser entendido como a interrupção de um processo. Nos meios acadêmicos, corte pode ser traduzido como um viés assumido por um observador. O espetáculo Corte, que estreia amanhã, no Teatro do Museu do Trabalho, admite todas essas interpretações e ainda mais: é o novo espetáculo do diretor Decio Antunes.A expectativa em torno de Corte é considerável, afinal, duas outras montagens de Decio Antunes – Mulheres Insones (2006) e A Casa (2007) – venceram o Açorianos de melhor espetáculo de dança. Mas as preocupações do encenador são outras. Segundo ele, Corte quer colocar em cena um momento histórico limite:– A primeira década do novo milênio é pautada por intolerância religiosa e étnica, catástrofes ambientais e financeiras, controle cada vez maior do indivíduo. A cidade expõe suas cicatrizes. O que virá depois?Para transformar isso em teatro-dança, Antunes contou com parcerias já confirmadas: Maria Waleska Van Helden na coreografia, Felix Bressan projetando a cenografia e Coca Serpa criando os figurinos. O resultado final é próximo de um flagrante pré-apocalipse. O Teatro do Museu do Trabalho perdeu arquibancadas para que uma avenida cruzasse o espaço. Em torno dela, o público tentará se acomodar cercado por um ambiente de excesso de informação e movimentos enérgicos e viscerais. Monitores de TV e telas de computador espalhados pela sala estarão pulsando no ritmo do caos urbano.Antunes observa que Corte (que tem patrocínio parcial do Fumproarte e apoio da CEEE via Lei Rouanet) garante mais espaço à palavra, se consideradas Mulheres Insones e A Casa. As falas partem de um observador onisciente, que às vezes tenta propor uma análise racional do que observa, algumas vezes persegue um impacto poético, outras contenta-se em apenas ser uma palavra entoada em meio à desordem. Para construir o texto, Antunes repetiu o método de buscar em autores clássicos e contemporâneos o verbo certo.– Há ecos de Sófocles, Eurípedes, Shakespeare, Lorca e Heiner Müller. Mas se destaca Beckett. A obra dele, especialmente Fim de Partida (1957), resume o que vivemos agora.Se, em Fim de Partida, duas pequenas janelas permitiam vislumbrar um aceno de salvação, em Corte esse papel fica a cargo dos monitores. A tecnologia é a salvação? Ou a comunicação? Ou o abuso delas colocará o mundo a perder? Antunes não se preocupar em fechar questão:– Pelo contrário. Espero que o Corte seja largo e profundo o suficiente para que cada um faça sua leitura. Mas vamos continuar sorrindo, não é? Estamos sendo filmados...
Coreografias de Maria Waleska Van Helden e direção de Decio Antunes.
Com Cristina Camps, Fabiane Severo, Graziela Silveira, Maria Albers, Patrick Vargas, Robson Duarte e Stela Menezes.
Às sextas e sábados, às 21h, e aos domingos, às 20h. Estreia amanhã, às 21h. Duração: 60 minutos. Temporada até 26 de julho. Classificação: 14 anos.
Teatro Museu do Trabalho (Rua dos Andradas, 230), fone: (51) 3227-5196.
Ingressos: R$ 20, com desconto de 50% para maiores de 60 anos e para estudantes.
O espetáculo: em um cenário apocalíptico, a montagem de teatro-dança do grupo JogodeCena quer discutir as disputas entre nações, culturas e crenças que marcam o início do milênio e a dificuldade de comunicação das grandes cidades..